Bebê de apenas dois anos de idade é o 2º caso positivo de leishmaniose humana registrado em 2026, em Presidente Prudente

16/09/2026 09h10 Paciente já recebeu tratamento médico hospitalar.
Por: Ifronteira, Presidente Prudente - SP
Bebê de apenas dois anos de idade é o 2º caso positivo de leishmaniose humana registrado em 2026, em Presidente Prudente Mosquito-palha é o transmissor da leishmaniose | Foto: Agência SP

A Vigilância Epidemiológica Municipal (VEM) confirmou, nesta terça-feira (15), o segundo caso positivo de leishmaniose humana registrado em 2026, em Presidente Prudente (SP).

O caso positivado é de uma criança de apenas dois anos de idade, um menino, morador do bairro Parque Residencial São Lucas.

De acordo com o órgão municipal, o bebê foi acometido pelo tipo visceral da doença, já recebeu tratamento médico hospitalar indicado para a zoonose e passa bem, em casa, onde segue com os cuidados.

Manejo no local

 A equipe da VEM iniciará o manejo no local nesta quarta-feira (16), no Parque Residencial São Lucas. Nesta primeira etapa, serão realizados trabalhos de orientação casa a casa, informando os moradores sobre a necessidade de separar e disponibilizar materiais orgânicos para retirada.

O recolhimento dos materiais será realizado no dia 21 de setembro, próxima segunda-feira, quando um caminhão passará pelo bairro, em ação articulada com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semea).

Também haverá manejos para orientações de controle do vetor, que é o mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis), e controle químico.

A VEM orienta às famílias a manter os quintais limpos, pois o manejo ambiental é uma estratégia crucial para reduzir o contato entre humanos e vetores, com os seguintes procedimentos:

remoção de resíduos orgânicos,

poda de árvores e

redução de fontes de umidade.

 O vetor, que é um inseto denominado de flebotomíneo, conhecido popularmente como mosquito-palha, depende de matéria orgânica, temperatura estável e umidade constante para completar seu ciclo de vida.

A transmissão acontece a partir da picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário Leishmania chagasi. 

Primeiro caso humano

 O primeiro caso humano de 2026 foi registrado na região dos bairros Jardim Balneário e Residencial Servantes, no mês de junho. O paciente é um homem, de 24 anos, que também recebeu tratamento.

Cães

 Em animais, Presidente Prudente já registrou 169 casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC) autóctones e 2 importados, em 2026.

O cachorro é o principal reservatório do protozoário. Porém, o cão não transmite a doença diretamente ao ser humano.

A transmissão ocorre por meio do mosquito vetor.

O início do ciclo de transmissão acontece quando o inseto pica um cão infectado e, posteriormente, uma pessoa.

Prevenção

 A leishmaniose é um conjunto de doenças causadas por protozoários transmitidos pela picada de insetos conhecidos como mosquito-palha, birigui ou tatuquira.

No Brasil, as formas mais comuns são a tegumentar, que afeta a pele e as mucosas, e a visceral, que compromete órgãos internos e pode ser fatal sem diagnóstico e tratamento precoces.

Especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) reforçam a importância de manter os ambientes externos limpos e usar repelente contra insetos.

A transmissão para humanos ocorre quando o mosquito-palha adquire o protozoário Leishmania chagasi ao picar cães ou outros animais infectados e, posteriormente, transmite o parasita ao indivíduo. A doença não é transmitida pelo contato direto com animais, pois depende da participação do vetor, o inseto, que apenas transporta o protozoário entre os hospedeiros.

Segundo o infectologista da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que faz parte da rede credenciada do Iamspe, em Botucatu (SP), Alexandre Naime Barbosa, o principal sinal de alerta para a leishmaniose tegumentar é uma ferida na pele que permanece por semanas ou meses sem cicatrizar.

''A doença geralmente começa com uma pequena lesão que aumenta lentamente até formar uma úlcera. Alterações persistentes no nariz, na boca ou na garganta também merecem atenção, pois podem indicar comprometimento das mucosas'', explica.

A forma mais grave da doença, de acordo com o infectologista, é a visceral, que costuma apresentar sintomas inespecíficos.

''Na leishmaniose visceral, febre por mais de duas semanas, perda de peso, cansaço intenso, falta de apetite e aumento do abdômen são sinais de alerta. Em casos mais graves, a doença pode causar anemia, fraqueza e comprometer o sistema imunológico, aumentando o risco de outras infecções'', comenta Barbosa.

De acordo com as informações veiculadas pela Agência SP, a prevenção da doença inclui manter quintais e terrenos limpos, eliminando folhas, matéria orgânica e lixo que favorecem a proliferação do mosquito-palha.

Também é recomendado o uso de repelentes, telas em portas e janelas e roupas que cubram braços e pernas, principalmente entre o entardecer e o amanhecer, período de maior atividade do inseto.

Sintomas

 De acordo com as informações disponibilizadas pelo Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral é uma zoonose de evolução crônica, com acometimento sistêmico, que, se não tratada, pode levar a óbito até 90% dos casos. É transmitida ao homem pela picada de fêmeas do inseto vetor infectado, denominado de flebotomíneo e conhecido popularmente como mosquito-palha, asa-dura, tatuquira e birigui. No Brasil, a principal espécie responsável pela transmissão é a Lutzomyia longipalpis.

A leishmaniose visceral é transmitida por meio da picada de insetos que são pequenos e têm como características a coloração amarelada ou de cor palha e, em posição de repouso, suas asas permanecem eretas e semiabertas.

A transmissão acontece quando fêmeas infectadas picam cães ou outros animais infectados e, depois, picam o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.

Os principais sintomas da doença são:

febre de longa duração;

aumento do fígado e baço;

perda de peso;

fraqueza;

redução da força muscular; e

anemia.

 Ainda segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico pode ser realizado por meio de técnicas imunológicas e parasitológicas. É fundamental procurar o médico assim que surgirem os primeiros sintomas. Uma vez diagnosticada, quanto mais cedo for iniciado o tratamento, maiores são as chances de evitar agravo e complicações da leishmaniose visceral, que, se não for tratada adequadamente, pode ser fatal.

Tratamento

 Apesar de grave, a leishmaniose visceral tem tratamento para os humanos. Ele é gratuito e está disponível na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a doença não eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos cães. No entanto, no Brasil o homem não tem importância como reservatório, ao contrário do cão - que é o principal reservatório do parasito em área urbana.

Nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém, eles continuam como fontes de infecção para o vetor, e, portanto um risco para saúde da população humana e canina. Neste caso, a eutanásia é recomendada como uma das formas de controle da leishmaniose visceral, mas deve ser realizada de forma integrada às demais ações recomendadas pelo Ministério da Saúde.

A prevenção ocorre por meio do combate ao inseto transmissor. É possível mantê-lo longe, especialmente com o apoio da população, no que diz respeito à higiene ambiental.

O Ministério da Saúde orienta que essa limpeza deve ser feita por meio de:

Limpeza periódica dos quintais e retirada da matéria orgânica em decomposição (folhas, frutos, fezes de animais e outros entulhos que favoreçam a umidade do solo, locais onde os mosquitos se desenvolvem).

Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir o desenvolvimento das larvas dos mosquitos.

Limpeza dos abrigos de animais domésticos, além da manutenção de pets distantes do domicílio, especialmente durante a noite, a fim de reduzir a atração dos flebotomíneos para dentro de casa.

Uso de inseticida (aplicado nas paredes de domicílios e abrigos de animais). No entanto, a indicação é apenas para as áreas com elevado número de casos, como municípios de transmissão intensa (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 4,4), moderada (média de casos humanos dos últimos 3 anos acima de 2,4) ou em surto de leishmaniose visceral.

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