Um caso que envolve abandono, maus-tratos, ameaças e suspeita de envenenamento de animais está mobilizando protetoras independentes da causa animal em Adamantina. As ativistas relataram ao Siga Mais sobre a situação, que teve início em setembro do ano passado, quando 12 cães foram abandonados no bairro Residencial Itália, levando as voluntárias a organizar uma força-tarefa para garantir o resgate e o tratamento dos animais.
Ao tomar conhecimento do abandono, a protetora independente Marinara Landim, com apoio de outras voluntárias, esteve no local para avaliar as condições em que os cães se encontravam. Foi realizada uma triagem emergencial, separando os animais mais debilitados daqueles que apresentavam melhores condições físicas para permanecer provisoriamente no bairro.
Os cães em estado mais grave foram encaminhados para atendimento veterinário e posteriormente levados à residência da protetora, no município de Lucélia, onde passaram a receber tratamento contínuo. Um dos animais resgatados apresentava lesão grave após ter sido atingido no olho por uma pedra, supostamente lançada por um morador após o cão tentar atacar galinhas criadas na propriedade. O ferimento resultou na perda da visão.
Os demais cães permaneceram no Residencial Itália, também sob acompanhamento veterinário. Sensibilizado com a situação, um morador da localidade, proprietário de uma chácara no próprio bairro, autorizou que parte dos animais ficasse provisoriamente em sua propriedade até que fossem adotados. Cinco cães — que receberam os nomes de Rosa, Tico, Teco, Pincher e Nega — passaram a receber cuidados no local.
Alguns deles foram diagnosticados com doença do carrapato, exigindo tratamento rigoroso com medicação administrada a cada 12 horas. Para garantir a continuidade dos cuidados, as protetoras organizaram uma escala de revezamento, comparecendo diariamente à chácara, duas vezes por dia, durante cerca de um mês, assegurando alimentação, acompanhamento e tratamento médico adequado. Paralelamente, outros cães sob responsabilidade das voluntárias foram adotados ao longo do período.
Segundo relato das protetoras ao Siga Mais, recentemente foi recebida uma ameaça anônima relacionada à permanência dos cães no bairro, sob alegação de que os animais estariam atacando galinhas criadas por moradores. Não houve identificação do autor ou autores da mensagem.
Na semana passada o proprietário da chácara informou às protetoras mobilizadas o desaparecimento da cadela Rosa. No sábado (21), durante buscas realizadas pela protetora Ana Vanuire, o animal foi localizado sem vida em uma área de mata.
No dia seguinte, ao retornar ao local para realizar o sepultamento, foi encontrado também o corpo do cão Teco, igualmente morto nas proximidades.
Os dois animais estavam sob cuidados dos voluntários e aguardavam adoção responsável. Pelas circunstâncias observadas, há fortes indícios de envenenamento, o que pode configurar crime de maus-tratos e crueldade contra animais, conforme prevê a legislação brasileira.
Diante da sequência de acontecimentos — que inclui abandono coletivo, agressão anterior a um dos cães, ameaças e a morte dos animais — as protetoras autônomas defendem a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos envolvidos. Sobre a morte dos dois animais, encontrados sem vida no fim de semana, as ativistas registraram boletim de ocorrência na tentativa de esclarecer o caso e responsabilizar os envolvidos.
Maus-tratos a animais são crime e podem resultar em prisão e multa no Brasil
A legislação brasileira prevê punições rigorosas para crimes de maus-tratos contra animais, incluindo situações de abandono, agressão física e envenenamento. Nos casos envolvendo os cães resgatados no Residencial Itália, em Adamantina, as condutas relatadas podem configurar diferentes tipos penais previstos na legislação ambiental e no Código Penal, dependendo da apuração das autoridades competentes.
O principal dispositivo legal aplicado nesses casos é a Lei Federal nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. O artigo 32 estabelece que praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados é crime.