Um rapaz, de 18 anos, foi preso em flagrante por furto qualificado de uma motocicleta, em Presidente Prudente (SP). O veículo pertence a um jovem, de 22 anos, que havia sido atraído por golpistas a comparecer a uma oficina mecânica, no Parque Residencial Nosaki, para uma suposta entrevista a uma vaga de emprego.
De acordo com as informações que constam no Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, a vítima contou que havia recebido uma proposta de emprego, através do WhatsApp, cujo interlocutor, com a fotografia de uma concessionária de veículos, perguntou se tinha interesse em uma vaga de trabalho na oficina. Em caso positivo, o rapaz deveria se dirigir ao local na posse de um currículo. O interlocutor ainda perguntou ao jovem se ele iria ao local de carro ou motocicleta. Como a vítima respondeu que iria de motocicleta, o interlocutor a orientou a estacionar o veículo do lado de fora do estabelecimento, porque não poderia colocá-lo no estacionamento interno.
O rapaz se dirigiu ao local indicado, estacionou o veículo onde ficam as motocicletas e adentrou o estabelecimento. A vítima trancou a moto e manteve a chave do veículo em seu poder.
No entanto, em contato com um funcionário da empresa, a vítima foi informada de que não estavam contratando empregados no momento e que, provavelmente, era um golpe. Quando saiu para verificar se a motocicleta estava no mesmo local, a vítima foi surpreendida, constatou que o veículo havia sido furtado e ficou desesperada. Uma funcionária telefonou à Polícia Militar para comunicar o furto.
A vítima foi informada de que não havia nenhum processo seletivo em andamento na oficina e que o número do contato do qual tinha recebido as mensagens não pertencia à empresa.
A Polícia Militar conseguiu recuperar e apreender a motocicleta depois que o veículo foi abandonado no acostamento da Rodovia Ângelo Rena, nas proximidades do bairro residencial Vida Nova Pacaembu. Os dois rapazes, de 18 e 24 anos, que estavam com o veículo como condutor e passageiro, respectivamente, embrenharam-se em uma mata para fugir da abordagem policial, depois de sofrerem uma queda. No entanto, o mais jovem acabou preso próximo à casa onde mora, no bairro Vida Nova Pacaembu. O outro suspeito de envolvimento no crime conseguiu fugir e não foi localizado pelos policiais militares.
Em depoimento à Polícia Civil, o suspeito preso confessou o crime. Ele alegou que havia sido convidado pelo outro rapaz a ir à oficina mecânica para “pegar” uma motocicleta no local e que aceitou a proposta porque está passando por dificuldades, com contas atrasadas e problemas pessoais. Ele disse que avistou a motocicleta, montou no veículo e pegou o comparsa, que aguardava na esquina. Na tentativa de fuga dos policiais militares, ambos caíram da motocicleta na Rodovia Ângelo Rena, abandonaram o veículo e entraram em uma mata. O jovem confirmou que saiu da mata somente no bairro Vida Nova Pacaembu, onde os policiais militares o detiveram. Ele ainda alegou não saber o paradeiro do comparsa.
A perseguição policial contou com apoio, inclusive, do Helicóptero Águia, da PM.
Na tentativa de fuga, os jovens desrespeitaram as ordens de parada proferidas pelos policiais militares, até que bateram em uma guia, caíram da moto e abandonaram o veículo no acostamento da Rodovia Ângelo Rena.
"Diante da análise conjunta das oitivas dos policiais militares, da vítima e da própria confissão do autuado, verificam-se indícios suficientes de autoria e materialidade do crime patrimonial, evidenciando que os agentes delitivos, atuando em comunhão de esforços e unidade de propósitos, empregaram fraude previamente arquitetada, que consistiu na apresentação de falsa proposta de emprego, na qual induziram a vítima a deslocar-se ao local e a estacionar sua motocicleta na área externa. Em seguida, aproveitando-se da diminuição da vigilância do ofendido sobre a 'res' [motocicleta], os investigados subtraíram, para eles, o referido veículo, que somente foi recuperado após perseguição policial ininterrupta pela Rodovia Ângelo Rena", concluiu a Polícia Civil.
A vítima informou ter adquirido a moto há aproximadamente dois meses, pelo valor de R$ 5,5 mil, e que estava ciente de que se tratava de um veículo com financiamento em atraso, mas com os sinais identificadores de placa e chassis íntegros.
Depois de recuperada e apreendida pelos policiais militares, a moto foi devolvida à vítima.
O jovem preso permaneceu à disposição da Justiça.