Golpistas usam tela compartilhada para induzir idoso a pagar R$ 14,5 mil em dívidas de terceiros no interior de SP

09/02/2026 07h30 Vítima, que é de Presidente Prudente e tem 69 anos, acreditou estar falando com advogado sobre causa ganha. No estado de São Paulo, nove em cada dez pessoas já foram alvo de tentativas de golpes digitais.
Por: g1, Presidente Prudente - SP
Golpistas usam tela compartilhada para induzir idoso a pagar R$ 14,5 mil em dívidas de terceiros no interior de SP Nove em cada dez pessoas já foram alvo de tentativas de golpes digitais em SP — Foto: Freepik/Reprodução

Um aposentado de 69 anos, morador do bairro Cecap, em Presidente Prudente (SP), perdeu mais de R$ 14,5 mil ao cair no "golpe do Falso Advogado", nesta terça-feira (3).

O crime, que envolveu engenharia social e uso de recursos tecnológicos, levou a vítima a pagar débitos estaduais vinculados a três pessoas desconhecidas, residentes em Minas Gerais.

A abordagem começou pelo WhatsApp, quando um golpista se passou pelo advogado do aposentado e afirmou que uma ação de correção salarial havia sido vencida, informando que o valor seria liberado ainda naquele dia.

Para “orientar” o procedimento e supostamente evitar bloqueios, outro golpista, que se apresentou como advogado e usava o nome de “Dr. Paulo”, entrou em contato com a vítima e iniciou uma chamada de vídeo.

Durante a ligação, o criminoso convenceu o idoso a compartilhar a tela do celular e acessar o aplicativo bancário. Com o controle visual das ações da vítima, o estelionatário forneceu chaves PIX e a induziu a realizar três pagamentos, nos valores de R$ 4.476,54, R$ 2.052,83 e R$ 8.051,30.

As investigações apontaram que o dinheiro não foi transferido para uma conta bancária comum, mas usado para quitar débitos de terceiros junto ao Governo de Minas Gerais.

Os beneficiários já foram identificados e dois deles possuem registros de armas de fogo em seus nomes.

O caso foi registrado como estelionato qualificado por fraude eletrônica.

Alta de 45% nas denúncias

A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Presidente Prudente aponta que, entre 2024 e 2025, houve um aumento de 45% nas denúncias envolvendo pessoas se passando por advogados.

Os criminosos usam dados de processos judiciais, que são públicos, para dar veracidade à farsa. Segundo o advogado e vice-presidente da OAB de Presidente Prudente, Marco Goulart, a primeira medida de segurança é confirmar a identidade do profissional pelo número de telefone.

"Se seu advogado trocou o telefone, provavelmente ele avisaria antes. É muita coincidência o advogado trocar o telefone e pedir que entre em contato com uma emergência, que vai perder aquele processo", alertou o advogado em entrevista à TV TEM.

Marco ainda orientou que o cliente deve ter certeza de quem é o interlocutor, preferencialmente indo até o escritório ou fazendo contato pelo telefone antigo ou fixo. Caso o crime ocorra, ele reforça a necessidade de registrar o Boletim de Ocorrência e acionar os mecanismos bancários.

"Também tem o mecanismo dos bancos, que se chama MED, e procurar o seu verdadeiro advogado", finalizou.

As táticas incluem desde a invasão e clonagem de WhatsApp de escritórios até o uso de fotos e logotipos oficiais.

Outros dados alarmantes são:

9 em cada 10 pessoas já foram alvo de tentativas de fraudes;

40% da população já comprou em lojas virtuais que não existiam;

24% foram vítimas de fraude ou clonagem de cartão nos últimos 12 meses;

Um em cada quatro moradores de SP foi vítima de golpe ou tentativa via Pix.

A percepção de insegurança é quase unânime: 95% dos entrevistados deste estudo acreditam que os golpes estão aumentando, enquanto apenas 12% sentem confiança de que não serão as próximas vítimas.

A pesquisa indica que pessoas entre 30 e 59 anos, com ensino superior e renda mais alta, estão entre os principais alvos das tentativas.

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