O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), ofereceu, perante a 3ª Vara Judicial da Comarca de Presidente Venceslau (SP), denúncia contra seis pessoas acusadas de integrar organização criminosa destinada a lavar dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
Os acusados são:
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC;
Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola e colíder da organização;
a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra Santos, que está presa preventivamente desde o dia 22 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista (SP);
Everton de Sousa, o Player, operador financeiro do esquema;
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho, ambos filhos de Alejandro.
Os dois últimos estão foragidos no exterior.
Segundo a denúncia, entre 2018 e 2025, os acusados operaram uma estrutura voltada à dissimulação e à reinserção na economia formal dos recursos ilícitos obtidos pela facção criminosa.
O principal meio usado pelo esquema foi a Lopes Lemos Transportes Ltda., conhecida como Transportadora Lado a Lado, em Presidente Venceslau, administrada por Ciro Cesar Lemos, já condenado por organização criminosa. Ele recebia ordens de Marcola e Alejandro para repassar os rendimentos às demais pessoas da rede.
Segundo o Ministério Público, Deolane recebia depósitos fracionados provenientes da transportadora, ocultando sua origem mediante o uso de contas próprias. A acusada planejava, segundo a investigação, reestruturar suas empresas e transferi-las para fundos sediados no exterior, operando a lavagem de dinheiro dos valores oriundos de integrantes do PCC.
Sousa supervisionava prestações de contas e o fluxo de valores como operador intermediário.
Já Paloma e Leonardo recebiam parcelas dos rendimentos ilícitos por determinação do pai, cabendo a Paloma orientar Lemos sobre a distribuição dos valores, a partir de informações repassadas por Alejandro.
Bilhetes no esgoto
Bilhetes encontrados no esgoto da Penitenciária Maurício Henrique Guimarães Pereira, a P2, em Presidente Venceslau, foram o ponto de partida da Operação Vérnix para investigar o esquema de lavagem de dinheiro do PCC.
De acordo com as informações veiculadas pela Agência SP, a Operação Vérnix, como foi chamada, começou há 7 anos, quando, em uma batida em uma das celas do presídio de Presidente Venceslau, policiais penais detectaram cartas e bilhetes descartados pelo esgoto.
A apuração resultou na abertura de três inquéritos policiais e levou os investigadores até uma transportadora suspeita de operar a transferência de dinheiro para a facção.
Dados bancários suspeitos
Os dados obtidos da transportadora e um celular apreendido no local levaram os investigadores a entender que se tratava de uma organização altamente estruturada, com a participação de familiares de Marcola e da influenciadora Deolane, advogada que tem milhões de seguidores nas redes sociais.
Por meio da quebra do sigilo fiscal e bancário, a investigação descobriu que Deolane mantinha vínculos com a transportadora, de onde teria recebido transferências de dinheiro, e possivelmente com outras vertentes do crime organizado.
“Nós entendemos que, pelo poder econômico que adquiriu ao longo do tempo, ela funcionava como uma espécie de caixa do crime organizado. Eles [crime organizado} depositavam valores na conta dela, e esses valores se misturavam com o dinheiro de outras atividades dessa pessoa pública. Quando eles precisavam desse dinheiro, ele retornava ao crime organizado”, disse o delegado Edmar Caparroz.
Segundo o delegado, não foi detectada qualquer prestação de serviços entre a influenciadora e a transportadora.
Conforme os investigadores, o grupo movimentou milhões de reais sem lastro econômico compatível e usava empresas de fachada, contas utilizadas para circulação de valores e aquisição de bens de alto padrão para ocultar a origem ilícita dos recursos.
A Operação Vérnix obteve o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões e o sequestro de 17 veículos — incluindo automóveis de luxo — e quatro imóveis vinculados aos investigados.