Com picape dublê, motorista tenta despistar abordagem policial, mas acaba preso em flagrante no Centro de Presidente Prudente

25/05/2026 09h44 Veículo havia sido furtado em Santos (SP) no início do ano.
Por: IFronteira, Presidente Prudente - SP
Com picape dublê, motorista tenta despistar abordagem policial, mas acaba preso em flagrante no Centro de Presidente Prudente .

Um homem, de 38 anos, foi preso em flagrante, suspeito dos crimes de receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, no Centro, em Presidente Prudente (SP). Com ele, foi apreendida uma picape, com placas de São Paulo (SP), ano de fabricação de 2025 e modelo de 2026, que havia sido furtada em janeiro, em Santos (SP).

Os policiais militares integrantes do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) haviam recebido informações de que um veículo possivelmente dublê circulava pela cidade e conseguiram localizar o automóvel em trânsito pela Avenida Manoel Goulart.

Quando percebeu a presença policial, o motorista tentou abruptamente adentrar o pátio de uma farmácia, aparentemente para se desvincular da abordagem, mas não conseguiu escapar dos militares. Ele estava acompanhado de um passageiro, de 39 anos.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia Participativa da Polícia Civil, um dos rapazes assumiu a propriedade do automóvel, porém, apresentou versões contraditórias acerca do valor pago, da pessoa de quem teria adquirido e do tempo de posse, enquanto o outro não soube esclarecer sequer a relação entre eles ou a procedência de onde vinham, com respostas divergentes, o que motivou o aprofundamento da fiscalização veicular.

Em seguida, os policiais verificaram a plaqueta autodestrutiva, a qual se desprendeu integralmente, em desconformidade com o padrão esperado, razão pela qual utilizaram um aparelho, cuja leitura indicou chassi diverso do ostentado no veículo e nos vidros. Além disso, os militares também constataram que os números dos vidros estavam lixados e visivelmente rasurados.

A partir do chassi verdadeiro obtido, os policiais verificaram que se tratava de um veículo que havia sido furtado em janeiro, na cidade de Santos, no litoral paulista. No compartimento do motor, os militares localizaram etiqueta com a numeração original igualmente correspondente à do veículo furtado, corroborando as informações do aparelho de diagnóstico.

Diante das versões desconexas apresentadas, os rapazes foram levados à Delegacia Participativa.

Quando perceberam o aprofundamento das buscas, ambos demonstraram agitação, motivo pelo qual tiveram de ser algemados durante a condução até a delegacia. 

O passageiro alegou que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade no veículo e relatou que o condutor havia lhe dito que tinha comprado a picape recentemente, ocasião em que acreditou tratar-se de negócio regular.

Já o motorista foi interrogado pela Polícia Civil na presença de seu advogado e afirmou que, no momento da abordagem dos militares, dirigia-se a uma farmácia para comprar remédio para dor de cabeça. Ele disse que, inicialmente, ficou assustado, inclusive, por possuir antecedente com cumprimento de pena, e que desconhecia qualquer irregularidade no veículo.

Segundo o motorista, a única pendência existente seria de natureza financeira, consistente em busca e apreensão decorrente de financiamento não quitado pelo antigo possuidor.

O suspeito afirmou que havia adquirido o automóvel em uma feira pela internet, pelo valor de R$ 4.800,00, de um homem que não conhecia pessoalmente e com quem tinha apenas contato por telefone.

Ele falou que necessitava de um veículo com carroceria para trabalhar com serviços de poda para concessionárias de energia, motivo pelo qual realizou a compra.

Segundo o Boletim de Ocorrência, o motorista reiterou que não tinha conhecimento de adulterações no veículo e ainda enfatizou que “jamais” conduziria um automóvel nessas condições.

O suspeito pontuou que o veículo adquirido era conhecido como “NP”, entendido como aquele vinculado a financiamento não quitado e sujeito apenas a busca e apreensão. Ele complementou que o vendedor informou-lhe apenas essa circunstância e garantiu que o bem possuía procedência regular, sem mencionar qualquer adulteração ou origem ilícita. Por fim, declarou que não recebeu documentos físicos, apenas arquivos em formato digital enviados para seu celular.

No entendimento da Polícia Civil, apesar da versão apresentada pelo autuado, no sentido de que teria adquirido a picape como “NP”, por valor significativamente inferior ao de mercado, e sem nenhuma comprovação documental de tal negociação, a dinâmica da abordagem revela indícios de prévia ciência da ilicitude do bem.

 “Ao perceber a presença policial, o autuado demonstrou comportamento típico de evasão, realizando manobra abrupta para adentrar o pátio de uma farmácia, com nítido intuito de se furtar à fiscalização, circunstância que, aliada ao preço vil da aquisição e às adulterações nos sinais identificadores do veículo (placa, chassi e demais elementos), evidencia, ao menos em um juízo preliminar, que o investigado tinha conhecimento, ou ao menos deveria saber, da origem espúria do veículo que conduzia”, salientou a Polícia Civil. 

O motorista permaneceu preso à disposição da Justiça.

Já em relação ao passageiro, a Polícia Civil não identificou, ao menos por ora, as condutas descritas nos crimes em análise, tampouco elementos mínimos indicativos de vínculo subjetivo entre ele e o indiciado, razão pela qual foi formalmente ouvido e, depois, liberado.

Foi requisitado o exame pericial no veículo apreendido.

Também ficaram apreendidos três celulares pertencentes aos dois rapazes.

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