Buzeira e principais investigados na Operação Narco são soltos após decisão do TRF-3

21/08/2026 08h51 Defesas alegaram que não tiveram acesso a provas da investigação porque arquivos entregues pela Polícia Federal estavam corrompidos.
Por: Ifronteira, Caiuá - SP
Buzeira e principais investigados na Operação Narco são soltos após decisão do TRF-3 Influenciador 'Buzeira' estava preso desde maio no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Caiuá (SP) | Foto: Reprodução/Instagram/@buzeira_oficial

Os principais investigados na Operação Narco, entre eles o influenciador Bruno Alexander Souza Silva, conhecido como Buzeira, já foram colocados em liberdade nesta quarta-feira (19), após decisão da Justiça Federal. As defesas dos suspeitos impetraram habeas corpus, que foram julgados conjuntamente pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). Buzeira estava desde maio no Centro de Detenção Provisória (CDP), em Caiuá (SP).

De acordo com as informações veiculadas pela Jovem Pan, os pedidos apontaram que os investigados não tiveram acesso integral às provas utilizadas na investigação. Segundo as defesas, mais de 10 terabytes de arquivos armazenados em HDs externos e entregues pela Polícia Federal como parte do material probatório estavam corrompidos.

O conteúdo incluía conversas de WhatsApp, vídeos e registros de transações financeiras. Com parte do material indisponível, os advogados argumentaram que ficaram impossibilitados de analisar adequadamente as acusações e exercer plenamente a defesa.

O TRF-3 reconheceu excesso de prazo na manutenção das prisões e determinou a soltura dos investigados, mediante o cumprimento de medidas cautelares.

Além de Buzeira, foram beneficiados pela decisão Davidson Praça Lopes, Francisco Rafael Rodrigues da Silva e Rodrigo de Paula Morgado. Os investigados são suspeitos dos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Entre as medidas impostas pela Justiça estão o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de deixar o país.

Lavagem de dinheiro e organização criminosa

 De acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, Buzeira teria utilizado casas de apostas on-line, criptomoedas, pessoas interpostas e empresas de fachada para movimentar e ocultar recursos que, segundo a investigação, seriam provenientes do tráfico de drogas.

Segundo o Ministério Público Federal, entre agosto de 2023 e março de 2025, Buzeira teria enviado pelo menos US$ 15 milhões em criptoativos para Rodrigo de Paula Morgado.

A investigação aponta que o esquema funcionava por meio da circulação de grandes quantias em contas vinculadas a empresas de fachada e pessoas físicas. Os valores passariam por diferentes camadas de movimentações financeiras para dificultar a identificação da origem e, posteriormente, seriam distribuídos aos beneficiários.

Ainda segundo o MPF, a ocultação da origem dos recursos seria viabilizada por meio de criptoativos, que depois eram convertidos em dinheiro e fragmentados em diversas operações antes de chegarem aos destinatários finais.

Morgado já havia conseguido decisão favorável

 Para Rodrigo de Paula Morgado, esta é a segunda vez que a Justiça concede uma ordem de habeas corpus favorável.

Ele já havia sido preso em uma operação deflagrada em abril de 2025, que, segundo as investigações, serviu de base para a Operação Narco. Na ocasião, Morgado conseguiu deixar a prisão após uma decisão favorável concedida durante o plantão judicial.

Apesar disso, existem outros pedidos de prisão relacionados a processos distintos envolvendo o investigado.

Quem é Buzeira

 Com mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais, Bruno Alexander Souza Silva ganhou notoriedade ao promover rifas de veículos de luxo e outros produtos. O influenciador também ganhou projeção nacional após presentear o jogador Neymar com um cordão de ouro avaliado em cerca de R$ 2 milhões.

Buzeira passou a ser investigado pela polícia por suposto envolvimento com o chamado jogo do bicho por meio digital. Nas redes sociais, ele se apresenta como empresário bem-sucedido no mercado digital.

A rápida ascensão financeira do influenciador chamou a atenção das autoridades policiais de São Paulo ainda em 2023 e passou a ser um dos pontos investigados pelas forças de segurança.

As acusações contra os investigados ainda serão analisadas pela Justiça. A decisão que determinou a soltura não representa absolvição, mas reconhece, neste momento, o excesso de prazo das prisões diante das circunstâncias apontadas no processo.

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