Três venezuelanos que vivem no Brasil relatam como a migração transformou suas vidas e demonstram preocupação com o futuro da Venezuela após a intervenção dos Estados Unidos.
O produtor audiovisual Benjamin Mast, que chegou ao Brasil em 2016, hoje vive em Roraima, onde mantém uma produtora com a esposa. Ele afirma que deixou o país em busca de oportunidades profissionais, antes mesmo da explosão da crise migratória. Mast critica duramente a intervenção americana, que, segundo ele, pode transformar a Venezuela em uma “colônia”, agravando a instabilidade política e social.
A professora Livia Esmeralda Vargas González, docente da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), em Foz do Iguaçu, também migrou em 2016 para realizar doutorado no Brasil. Ela relata a dor de acompanhar à distância a crise enfrentada por familiares e amigos. Para Livia, a invasão representa uma violação da soberania e aprofunda os traumas do povo venezuelano. Recentemente, conseguiu reunir parte da família, com a vinda do filho para estudar no Brasil.
Já a técnica de informática Maria Elias, que chegou ao país em 2015 com a família, encontrou na culinária uma forma de se reerguer economicamente. Hoje, atua com cozinha árabe e mediterrânea. Apesar de apoiar mudanças políticas na Venezuela, ela afirma que o cenário ainda é incerto e defende eleições livres para a reconstrução do país.
Os relatos revelam não apenas as dificuldades da migração, mas também a preocupação com os impactos políticos, sociais e humanitários da crise venezuelana.