NACIONAL - A crise financeira do Grupo Casas Bahia chegou a Osvaldo Cruz. A unidade da rede instalada na Avenida Brasil está entre as lojas afetadas pelo processo de reestruturação da empresa, que promoveu o fechamento de centenas de estabelecimentos em diferentes regiões do país.
O movimento atinge também outras cidades do Oeste Paulista. Segundo as informações levantadas, estão confirmados fechamentos em Dracena, Presidente Venceslau e Tupã, além de municípios como Ourinhos, Bauru, Mogi Guaçu, Lençóis Paulista e Ribeirão Preto.
A empresa não divulgou, até o momento, uma relação pública completa com os endereços das 298 unidades encerradas, o que dificulta a identificação oficial de todas as lojas atingidas.
O fechamento das unidades ocorreu de forma concentrada entre os dias 13 e 14 de agosto e representa uma redução significativa da presença física da rede.
Quase 30% da rede física será afetada
O encerramento de 298 lojas representa quase 30% da estrutura física da Casas Bahia.
A medida também deverá provocar milhares de desligamentos. As primeiras estimativas apontavam aproximadamente 1.900 demissões, mas projeções posteriores chegaram a indicar a possibilidade de até 3 mil trabalhadores afetados.
A reestruturação ocorre em um momento de forte pressão financeira sobre a companhia, que busca reduzir custos e adaptar sua estrutura ao cenário atual do varejo.
Segundo informações divulgadas sobre o processo, a empresa pretende diminuir a quantidade de lojas físicas e, ao mesmo tempo, ampliar a participação do comércio eletrônico na estratégia de vendas.
Osvaldo Cruz perde uma das principais lojas do varejo
A unidade da Casas Bahia em Osvaldo Cruz está localizada na Avenida Brasil, no Centro.
A loja faz parte da estrutura comercial da cidade há anos e sua saída representa uma mudança importante para o comércio local.
A presença de grandes redes varejistas costuma gerar fluxo de consumidores para a região central e movimentar segmentos relacionados ao comércio de móveis, eletrodomésticos, eletrônicos e produtos para o lar.
Prejuízo bilionário aumenta pressão sobre a empresa
A situação financeira ajuda a explicar a dimensão do processo de reestruturação.
No primeiro trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de aproximadamente R$ 1,06 bilhão, segundo dados divulgados pela companhia. O resultado representou aumento de 160% em relação ao prejuízo de R$ 408 milhões registrado no mesmo período do ano anterior.
Apesar do resultado negativo, a companhia apresentou crescimento da receita líquida, que chegou a aproximadamente R$ 7,4 bilhões no trimestre. O desempenho foi pressionado principalmente pelas despesas financeiras e pelo ambiente de juros elevados.
A empresa também vinha apresentando crescimento nas operações digitais. No primeiro trimestre, as vendas online de produtos próprios cresceram 27,4% na comparação anual, segundo dados divulgados pela própria companhia.
O cenário mostra uma mudança no comportamento da operação: enquanto o comércio eletrônico ganha espaço, a rede física passa por redução.
Casas Bahia já vinha reduzindo sua estrutura
O fechamento de lojas não é um movimento isolado na trajetória recente da companhia.
Em maio de 2026, o Grupo Casas Bahia informava uma estrutura com 1.039 lojas, sendo 922 unidades da operação principal e 117 de outra categoria apresentada pela companhia. Em São Paulo, eram 328 unidades naquele levantamento.
A redução anunciada agora representa, portanto, uma mudança relevante no tamanho da rede.
A estratégia está relacionada à tentativa de tornar a empresa mais eficiente, concentrando esforços em operações consideradas mais rentáveis e ampliando os canais digitais.
Empresa enfrenta histórico recente de reestruturação financeira
A situação atual também ocorre após a companhia ter passado por um processo de recuperação extrajudicial em 2024, envolvendo aproximadamente R$ 4 bilhões em dívidas, conforme o histórico divulgado pela empresa e pelo mercado.
O cenário financeiro continua sendo um dos principais desafios da varejista.
No primeiro trimestre de 2026, embora tenha registrado crescimento da receita e melhora em alguns indicadores operacionais, a companhia terminou o período com prejuízo superior a R$ 1 bilhão, pressionada principalmente pelo resultado financeiro.
A estratégia atual envolve redução de despesas, revisão da estrutura física e maior concentração nas operações digitais.