O Agosto Lilás é uma campanha nacional de conscientização pelo fim da violência contra a mulher no Brasil. Essa campanha foi criada para alertar a sociedade sobre a prevenção e o enfrentamento aos casos de violência, que podem assumir várias formas, não apenas tapas, socos, puxões de cabelo e outras agressões físicas. Existem as violências física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.
A reportagem do Portal Metrópole de Notícias ouviu o profissional da segurança pública responsável por um dos órgãos de defesa da mulher, a DDM (Delegacia de Defesa da Mulher). Falamos com o delegado Dr. Vinicius do Prado, responsável pela DDM de Osvaldo Cruz. ''O Agosto Lilás é um período fundamental para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a mulher, fortalecendo a prevenção e a importância da denúncia. O enfrentamento da violência contra a mulher não é responsabilidade só dos órgãos policiais, mas sim de toda a sociedade. Familiares, amigos, vizinhos e toda a comunidade podem contribuir denunciando situações de violência que chegam ao seu conhecimento, pois muitas vezes a vítima está com medo, fragilizada e não consegue tomar a iniciativa de procurar a polícia. Então, essa denúncia pode ser o primeiro passo para interromper esse ciclo de violência contra essa mulher e outros familiares dela'', disse o delegado.
Segundo a autoridade policial, aquela história de que ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’ não funciona mais, pois a sociedade tem que meter a colher, sim, e socorrer quem está vulnerável na relação e sendo vítima de violência. As pessoas podem fazer as denúncias de forma anônima, sem se envolver diretamente, mas agindo contra o que está errado. ''Hoje nós temos várias formas de fazer o problema chegar às autoridades. Temos inclusive a delegacia especializada, que é a DDM, a denúncia anônima no Ministério das Mulheres, ou simplesmente através do 190 ou 197. Em relação aos casos de violência contra a mulher dos últimos meses, o assunto merece atenção permanente em Osvaldo Cruz. Aqui na DDM, nós temos recebido denúncias e trabalhado para que cada caso seja devidamente apurado, com atenção às medidas legais necessárias. Lembro que por trás de cada ocorrência existe uma mulher que precisa ser ouvida, acolhida e protegida, e temos em Osvaldo Cruz toda uma estrutura. Além da Polícia Civil, temos a Casa da Mulher, o CREAS e assistentes sociais que fazem um trabalho muito bom na cidade. O trabalho em Osvaldo Cruz não para no atendimento da ocorrência; há todo um acompanhamento na sequência, como as Medidas Protetivas, apuração dos casos e investigação, de forma a deixar claro para elas que essas vítimas não estão sozinhas nem desamparadas'', disse o Dr. Vinicius.
Como delegado, o Dr. Vinícius deixa claro que a Polícia Civil está preparada para enfrentar a questão da violência contra a mulher e pede à população que não se cale e não permita que os casos cheguem a um final trágico. Denunciar pode salvar uma vida e interromper um ciclo de violência que por anos causa sofrimento a essa mulher. ''Acrescento que nossa equipe aqui da DDM realiza as diligências necessárias para esclarecer os fatos e, concluído esse trabalho, vem a aplicação da lei com a responsabilização dos autores, além da orientação às vítimas sobre todos os seus direitos. As mulheres não precisam esperar que a violência chegue a pontos críticos para procurar ajuda. A Lei Maria da Penha está ao alcance de todas e os instrumentos necessários estão disponíveis'', concluiu o delegado.