Setembro Amarelo marca a conscientização sobre a prevenção ao suicídio

01/09/2026 09h04 Médico Psiquiatra Dr. João Vitor Ravazi aborda o tema.
Redação: Wilson Bettiol, Osvaldo Cruz - SP
Setembro Amarelo marca a conscientização sobre a prevenção ao suicídio .

O Setembro Amarelo é uma campanha nacional e mundial de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a valorização da vida. O dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, data que inspirou a criação da campanha no Brasil, em 2015, pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV).

A reportagem do Portal Metrópole de Notícias preparou uma matéria especial com o médico psiquiatra Dr. João Vitor Ravazi, que abordou pontos fundamentais sobre o assunto com base na rotina de seu atendimento clínico.

Segundo o médico, desde a pandemia de Covid-19, o Brasil apresentou um aumento expressivo nos casos de transtornos de ansiedade. O crescimento colocou o país na liderança mundial desse tipo de diagnóstico. ''O que vem crescendo muito nos últimos anos é a busca por ajuda relacionada à dependência em jogos de apostas. A pessoa começa a jogar, perde o controle, passa a acumular prejuízos, contrai dívidas, perde patrimônio e entra em um cenário complexo. Em relação às doenças mentais, as mulheres buscam mais ajuda médica do que os homens. Portanto, estatisticamente, elas aparecem na frente. Isso não significa que essas condições afetem mais o sexo feminino, mas sim que elas procuram suporte com mais frequência. Os homens ainda enfrentam maior resistência e acabam buscando auxílio em estágios mais avançados do problema'', destacou o Dr. João Ravazi.

Questionado sobre o momento ideal para acender o sinal de alerta e procurar ajuda, o psiquiatra explicou. ''Quando o próprio indivíduo percebe uma alteração, é preciso avaliar há quanto tempo isso ocorre, quais mudanças de comportamento surgiram e o grau de sofrimento. Existem transtornos em que a pessoa não nota a alteração — ela pode se sentir ótima, mas não estar bem. Em outros casos, o indivíduo fica mais isolado, conversa menos, reduz a participação social e apresenta apatia. Nesses cenários, é fundamental buscar apoio profissional. Na consulta, avaliamos se o quadro se enquadra em um transtorno mental, quais são os impactos e a melhor conduta, seja por intervenção medicamentosa ou acompanhamento psicoterápico.''

O especialista ressaltou ainda que as condições psiquiátricas, quando tratadas adequadamente, entram em fase de estabilização. No entanto, o processo difere de infecções pontuais, como uma amigdalite, caso o paciente interrompa o cuidado, os sintomas podem retornar.

Diferente do atendimento de urgência em um pronto-socorro, em que o tratamento é pontual, o acompanhamento psiquiátrico exige um período de manutenção. Após o controle dos sintomas, a medicação costuma ser mantida por um período contínuo, de seis meses a um ano. Havendo estabilidade, o profissional realiza o desmame gradual até atingir a dose mínima ou a suspensão total, combinada a mudanças no estilo de vida. ''Eu costumo dizer que a parte mais simples é tomar o comprimido. O medicamento não resolve os problemas da vida, mas ajuda o paciente a sair da crise. Deve haver uma parceria entre médico e paciente. A pessoa precisa se ajudar, pois muitas vezes as dificuldades estão no ambiente ao redor, e o remédio atua como um suporte para mudar essa situação ou a percepção sobre ela. Ao notar qualquer sinal de alerta, procure imediatamente um profissional de saúde ou ligue para o 188 (CVV). O serviço funciona 24 horas, é gratuito e oferece escuta qualificada e orientação'', finalizou o médico.

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