Pela 1ª vez, Canil do 8º Baep da Polícia Militar prepara cadela para detecção e localização de explosivos

22/07/2019 05h00 Treinamentos devem manter o animal centrado e calmo. Expectativa é que grupamento tenha um cão para cada modalidade operacional até o ano que vem.
Por G1, Presidente Prudente - SP
Pela 1ª vez, Canil do 8º Baep da Polícia Militar prepara cadela para detecção e localização de explosivos .

Treinamento constante e um novo desafio ao Canil do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), da Polícia Militar, em Presidente Prudente. Pela primeira vez, o grupamento vai preparar uma cadela para detecção e localização de explosivos. A “recrutinha” centrada, chamada Ninja, tem pouco mais de três meses de vida e já recebe o adestramento. Os resultados positivos almejados pela equipe beneficiarão o atendimento à população do Oeste Paulista.

Ninja, da raça pastor belga malinois, chegou recentemente ao Canil do 8º Baep ao lado de três irmãos da mesma ninhada: Thanos, Kira e Logan. Além do quarteto, o grupamento ainda preparará para servir à PM o filhote Ayslan, da raça rottweiler, que também tem pouco mais de três meses de vida.

O comandante do Canil em Presidente Prudente, sargento Joel de Godoi Bueno Júnior, contou ao G1 que o temperamento e a aptidão do cão são avaliados durante os treinamentos, que começam desde bem cedinho.

“Um dos cães, que é a Ninja, são todos da mesma ninhada, apresentou um comportamento diferenciado que vai nos direcionar para o trabalho com cão de explosivo. Que é o primeiro cão de detecção de explosivo que nós vamos ter no 8º Baep”, anunciou ao G1 o sargento.

Os outros filhotes malinois ainda estão em avaliação, mas provavelmente serão direcionados, cada um, para faro e detecção de drogas, para detecção de arma – que também é uma nova modalidade de adestramento do Batalhão – e o outro está em análise se será direcionado a patrulhamento ou à dupla função, que é o cão de patrulhamento e de faro de droga.

Já o filhote de rottweiler deverá ser preparado para o patrulhamento/policiamento.

Controlada e centrada

Ao G1, o sargento Júnior explicou que o cão para detecção de explosivo “tem de ser um cão controlado”. “Não pode ser um cão muito afoito, um cão que tem uma agressividade muito alta, tendo em vista que o explosivo, quando o cão localizar, o cão não pode se aproximar”, afirmou.

“Chegou ao local, identificou o odor, ele [cão] para sinalizando que naquele local tem explosivo. Aí nós retiramos o cão do cenário e acionamos o esquadrão antibombas”, explicou o sargento sobre o procedimento.

Aqueles cães mais agressivos, agitados e com um temperamento um pouco mais forte tendem a se aproximar do objeto localizado, e tal comportamento não é o ideal para o treinamento voltado à detecção de explosivos. E a Ninja é o oposto.

“A Ninja nos proporcionou esse tipo de temperamento, de comportamento. É uma cadela que é um pouco mais concentrada, bem centrada nos treinamentos, e isso faz com que a gente direcione ela para o explosivo”, contou ao G1 o sargento PM.

Obediência

Os filhotes ainda são bem novinhos e ainda passam pelo treinamento padrão de ambientação e obediência, para depois partirem ao que o policial adestrador tem intenção de trabalhar.

“Até os oito meses os cães passam por uma adaptação; eles [policiais com os cães] fazem ambientação em aeroportos, shoppings, rodovias. A gente acostuma desde pequenos a levar ele a outros ambientes para que lá na frente o cão não tenha problemas de chegar em um ambiente novo e estranhar. Esse treinamento é básico para todos os filhotes que chegam”, explicou ao G1.

Conforme o sargento, todo esse processo com a Ninja será diferenciado dos demais cães, para que suas características de comportamento, como a concentração e calma, sejam mantidas.

A partir dos oito meses, quando o filhote atinge uma certa “maturidade”, os policiais adestradores começam a apresentar o que tem a intenção no filhote. “O que é faro de droga nós apresentamos as essências de droga, o que é para explosivo apresentamos a essência de explosivo”, destacou o sargento.

Neste ano, o Canil do 8º Baep começou a trabalhar com essências sintéticas no treinamento de cães de faro e, inclusive, compartilhou a forma de manuseio do material e seus benefícios no aprimoramento do trabalho policial com outros canis durante um simpósio.

Além de drogas sintéticas, como LSD, ecstasy, metanfetamina e heroína, a aquisição de essências sintéticas possibilita a localização de explosivos.

Para 'revolucionar' treinamento com cães de faro, 8º Baep compartilha novo método com unidades durante simpósio

‘Desafio’

Os filhotes devem começar a conhecer as essências no final deste ano.

O sargento colocou ao G1 que “o desafio é a ansiedade do policial diante de uma situação real, verificar o cão trabalhando e que ele está realmente pronto para o trabalho”.

Por vezes fica uma dúvida se o cão está ou não pronto para o trabalho, conforme comentou o sargento. “Com droga não tem problema, porque se o cão chegar no ponto e ele errar não tem perigo para o adestrador nem para o cão. Agora ’Com o explosivo só se erra uma vez’, que esse é o lema do Esquadrão Antibombas: errou, explodiu, é a vida que está em risco”, ressaltou ao G1.

“É um desafio muito grande. Nós estamos treinando com essências e depois dessa fase com o treinamento com essências é a apresentação do próprio material explosivo para verificar se o cão realmente está pronto para o trabalho ou não”, contou.

Há também a expectativa e o desafio para o adestrador do treinamento com a Ninja, que é o soldado César Alves da Conceição.

A previsão, segundo o sargento, é que em cerca de 18 meses Ninja esteja trabalhando e operando em ocorrências.

Expectativas

“A expectativa é de que até o meio do ano que vem para frente, nós tenhamos aqui no Canil do 8º Baep um cão para cada modalidade operacional nossa. Um cão para busca de pessoa, um cão para explosivo e os demais cães para faro e policiamento”, enfatizou ao G1 o sargento Júnior.

O de localização de pessoas já está em treinamento, é o Zeus, também pastor belga malinois, e “está quase pronto”.

“[Zeus] É um cão de dupla função. Ele faz a localização de pessoa, tanto de meliantes homiziados [escondidos] como de pessoas perdidas em matas. Esse [treinamento] também tem um diferencial, porque o indivíduo homiziado provavelmente o cão vá morder e o de pessoas perdidas em matas, pessoas de bem, o cão não tem uma agressividade. Então a gente o controla também; o mesmo cão a gente consegue fazer esse mesmo trabalho. Para policiamento ele também já está pronto”, contou.

Os filhotes malinois foram doados ao 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia pela Penitenciária de Presidente Venceslau. O rottweiler foi doado por um médico veterinário de Presidente Prudente.

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