Janeiro Branco: Mês da conscientização sobre a saúde mental

26/01/2021 06h26 A reportagem do Portal Metrópole de Notícias conversou sobre o assunto a Médica Dra. Carolinne Ballardin e com o Psicólogo Dr. Adalberto Matos.
Redação - Acally Toledo e Rian Santos*, Osvaldo Cruz - SP
Janeiro Branco: Mês da conscientização sobre a saúde mental .

A iniciativa do “Janeiro Branco” objetiva colocar em discussão dois temas: saúde mental e a saúde emocional. O momento deve colocar em debate também o combate ao preconceito relacionado aos portadores de transtornos mentais.

O assunto, ainda pouco divulgado, ganhou seu mês por iniciativa do psicólogo mineiro Leonardo Abrahão e com o lema “Quem cuida da mente, cuida da vida” o mês vai aos poucos ganhando força para se tornar parte do calendário da saúde brasileira.

A reportagem do Portal Metrópole de Notícias buscou informações sobre o tema com profissionais da área e ouviu a médica Dra. Carolinne Ballardin, que cursa especialização em Psiquiatria. “O Janeiro Branco tem como objetivo principal trazer questões relacionadas a saúde mental e emocional para a vida das pessoas. O que eu vejo é que muitas pessoas acham que tem que fazer muito para ajudar alguém e, na verdade, todo cuidado conta. Uma simples conversa, um olhar mais atento, estar presente na vida de alguém faz uma grande diferença.”, disse.

Dra. Carolinne Ballardin destacou que o autoconhecimento é muito importante. “Meu convite é para que as pessoas se autoconheçam em relação aos seus sentimentos e suas emoções e que também olhem mais atentamente para o seu próximo. O Janeiro Branco propõe que possamos fazer um pacto em torno da saúde mental, afinal, nós sabemos que uma sociedade saudável cuida da saúde mental e emocional. Que possamos quebrar as barreiras e abrir espaço para deixar o estigma de lado, que é algo que nos acompanha há tanto tempo. Temos dados que o Brasil é o primeiro país em número de pessoas com transtornos de ansiedade, e o segundo com transtornos depressivos e muitas pessoas não buscam ajuda por conta desse estigma.”.

A médica falou também que por conta da pandemia, houve um aumento de alguns problemas relacionados à saúde mental. “Com a pandemia, percebemos que houve aumento com relação a alguns problemas como depressão, ansiedade, abusos, violência doméstica e tudo isso reflete na nossa saúde mental. Diante de tudo o que está acontecendo, que a gente consiga tirar uma lição, que é a do despertar, que a gente não cometa mais os erros do passado e que a partir de 2021 a saúde mental esteja como prioridade na nossa vida. Se você está passando por um momento difícil, está com sintomas persistentes e que de certa forma atrapalhem o seu funcionamento, ou conhece alguém que esteja passando por isso, não hesite em procurar ajuda. Nós, profissionais da saúde mental, estamos aqui para ajudar, acolher e te ajudar a reencontrar o equilíbrio. Vamos disseminar essa ideia.”, finalizou.

Nossa reportagem também conversou sobre o assunto com o psicólogo Dr. Adalberto Matos, que destacou o aumento da procura por ajuda em seu consultório, por parte de pessoas que sentiram o momento da pandemia que levou ao recolhimento e a mudança radical de uma rotina de vida. “Não há dúvidas que esse tema é importantíssimo, porque não há ninguém sobre a face da terra que não passe dificuldades. Eu costumo dizer que todo ser humano, a parte principal da vida dele é equilibrar entre as dificuldades e as alegrias, e o que faz esse equilíbrio, para não descer lá no fundo do poço e nem para as alturas que é outra coisa perigosa, o que faz manter esse equilíbrio é a saúde mental. Em 2020 no consultório eu vi muito isso, principalmente de outubro para cá, as pessoas pirando muito no sentido de muito estresse, muita angustia e também por conta disso, os quadros decorrentes disso como a ansiedade e depressão, os quadros nesses meses aumentaram muito, falo isso com tristeza, porque a gente quer ganhar dinheiro, mas também queremos ver as pessoas bem, e o número de pessoas me surpreendeu nesses últimos meses de 2020”, explicou.

Segundo o psicólogo, temos que entender que não há corpo sem a mente e nem o contrário, por isso corpo e mente devem ser tratados com a mesma atenção. “Quando nós olhamos para a saúde mental não dá para fazer uma separação radical, do pescoço para cima é saúde mental, eu como um ser total, posso dividir didaticamente esse aspecto de mente como sendo a parte do meu cérebro, das minhas emoções, dos meus pensamentos e reações. Então, quando nós falamos em saúde mental, por favor, não entenda que isso é separado do corpo, a saúde física, a saúde mental, a saúde financeira e a saúde espiritual, nós podemos pensar como um equilíbrio perfeito do ser humano, eu tenho que me manter cuidando dessas coisas da saúde mental, porém, não posso esquecer da saúde física, porque os seus pensamentos estão diretamente ligados a seu aspecto físico.”, finalizou.

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