Aconteceu recentemente na cidade mineira de Passa Quatro, próxima à divisa com o estado do Rio de Janeiro, a ultramaratona de montanha “La Mission”. Com 110 quilômetros de extensão, a prova exige o extremo dos atletas, levando muitos a desistirem ao longo do trajeto.
O soldado PM Paes, da Estação de Bombeiros de Osvaldo Cruz, participou e concluiu todo o percurso. O militar representou o 14º Grupamento de Bombeiros de Presidente Prudente, ao qual a unidade de Osvaldo Cruz é vinculada.
A reportagem da Rádio Metrópole conversou com o soldado, que compartilhou os detalhes e bastidores dessa difícil jornada. Ele expressou a felicidade de representar o Corpo de Bombeiros, ressaltando que viajou durante o período de folga e que faz questão de levar a bandeira da corporação aos eventos. “A minha preparação começou no ano passado. Por ser uma ultramaratona de montanha, exige um treinamento muito longo. Foram 110 quilômetros até o quarto maior pico do Brasil, com cerca de 2.800 metros de altitude. Foi um processo que exigiu tempo e dedicação; nas minhas folgas, eu passava praticamente o dia inteiro treinando. Trata-se de uma junção de condicionamento físico, força mental, nutrição e até preparação espiritual”, explicou Paes.
O bombeiro concluiu os 110 quilômetros em 31 horas, bem abaixo do limite máximo de 39 horas estipulado pela organização. Considerada a maior prova da modalidade no Brasil, a estrutura do evento oferece suporte de água e alimentação ao longo do trajeto, mas o próprio atleta precisa carregar reforços de suplementação no colete ou na mochila. “Este ano foi bem atípico. Geralmente faz muito frio na Serra Fina e venta bastante, mas desta vez fez calor de dia e a madrugada foi um pouco fria. Larguei às 21h de quinta-feira, cruzei a sexta-feira inteira e só cheguei na madrugada de sábado. Como você não dorme um segundo, cheguei a ter alucinações e quedas de energia. Depois o corpo volta ao normal, mas são muitas subidas e dá vontade de desistir. Nessas horas, o mental sozinho não basta; é preciso unir o físico, o psicológico e o espiritual para conseguir terminar”, relatou o soldado.