João Dória, do PSDB, é eleito governador de São Paulo

28/10/2018 19h25 - Atualizado em 29/10/2018 09h02 Doria obteve 51,75% dos votos válidos contra 48,25% de Márcio França (PSB). A vitória do tucano é a oitava do PSDB, que está no comando do estado há 24 anos.
Redação - Acally Toledo - Informações: G1 , São Paulo - SP
João Dória, do PSDB, é eleito governador de São Paulo .

O empresário e ex-prefeito da capital paulista João Dória (PSDB) foi eleito neste domingo (28) governador de São Paulo no segundo turno. Com 98,49% das urnas apuradas por volta das 19h30, o tucano tinha 10 milhões de votos, o que correspondia a 51,77% dos votos, contra 48,23% de Márcio França (PSB) e 17% de nulos e brancos. Houve 21% abstenções.

A vitória do tucano é a oitava do PSDB, que está no comando do estado há 24 anos. Mario Covas foi o primeiro tucano a governar o estado. Ele interrompeu a gestão do à época PMDB, hoje MDB, que se manteve no Palácio dos Bandeirantes de 1983 a 1995.

O candidato tucano venceu na maior parte das cidades do interior do estado e França, na capital paulista.

Dória foi eleito após uma campanha marcada por acusações de seus adversários de que ele deixou a prefeitura da capital paulista antes de terminar o mandato. Dória saiu da prefeitura em abril, depois de 15 meses, para poder disputar a eleição para governador.

Aos, 60 anos, foi a primeira vez que o tucano disputou o cargo. Doria foi afilhado político do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e foi eleito no primeiro turno em 2016 para a Prefeitura de São Paulo.

Os dois tucanos tiveram um mal estar depois de Dória anunciar apoio ao candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) antes do primeiro turno das eleições.

No segundo turno, Dória chegou a ir até o Rio de Janeiro para tentar se encontrar com Bolsonaro, mas não foi recebido pelo candidato à presidência. Bolsonaro afirmou, após a tentativa de encontro, que Doria é oposição ao PT e que lhe desejava boa sorte.

Alckmin chegou a dizer que Dória o teria traído durante uma convenção nacional do partido em Brasília. Antes de o partido definir o nome que disputaria a presidência, Dória declarou que deveria ser o escolhido, passando por cima do ex-governador.

Prefeitos tucanos de cidades paulistas chegaram a declarar apoio ao candidato Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo. Questionado sobre a atitude dos prefeitos, Doria afirmou: "Eu não vejo racha, eu vejo depuração. As esquerdas se unem, as esquerdas se aglutinam e se aglutinam em torno do Márcio França. E é bom que façam isso, porque temos um campo mais claro, de esquerda".

O diretório municipal do PSDB em São Paulo expulsou Alberto Goldman, ex-governador, que declarou voto em Fernando Haddad (PT) para a presidência, e o secretário estadual de Governo, Saulo de Castro, e mais 15 filiados por infidelidade partidária. Eles recorreram às instâncias superiores do partido.

Processos

Dória é réu em três ações cíveis por improbidade, propostas pelo Ministério Público, por violação aos princípios constitucionais da administração pública e por enriquecimento ilícito.

Em uma das ações, o ex-prefeito de São Paulo é investigado por usar o slogan da sua campanha em 2016 em ações e projetos da Prefeitura, em benefício próprio e para proveito pessoal durante a gestão, entendeu o promotor Nelson Sampaio, que ingressou com o processo na 6ª Vara da Fazenda Pública.

A defesa de Dória ingressou com pedido de agravo de instrumento de decisões interlocutórias do magistrado que ainda não foram julgadas. O MP foi citado para se manifestar e a última movimentação é de 6 de setembro, com petições anexadas na 1ª Instância. O caso ainda não foi julgado.

Em outra ação, Dória foi condenado, em 24 de agosto, por improbidade e com suspensão dos direitos políticos por 4 anos pela juíza Carolina Martins Cardoso, titular da 11ª Vara da Fazenda Pública, por usar o slogan da Prefeitura em ações pessoais.

A Justiça aceitou o pedido do MP de que o uso da marca configurava "promoção pessoal do administrador público". A assessoria de Dória disse à época que iria recorrer da decisão.

Polêmicas na Prefeitura

Os 15 meses da gestão de Dória na Prefeitura de São Paulo foram marcados por polêmicas como a megaoperação que prometeu acabar com Cracolândia da região da Luz, área central de São Paulo, e a promessa de distribuição da farinata, espécie de granulado feito a partir de alimentos próximos do vencimento anunciado para ser entregue nas escolas municipais da capital.

Após a operação contra o tráfico de drogas em maio do ano passado na região da Luz, Dória chegou a afirmar que a Cracolândia havia acabado. "A Cracolândia aqui acabou, não vai voltar mais. Nem a Prefeitura permitirá nem o governo do Estado. Essa área será liberada de qualquer circunstância como essa. A partir de hoje, isso é passado", disse.

Os usuários de drogas que circulam pela área chegaram a mudar de local, mas voltaram para as ruas onde costumavam circular e o consumo e o tráfico de drogas permanece.

Em relação à farinata, Dória chegou a defender o produto como sendo "um alimento completo". "O que seria jogado fora de alimentos, vegetais, frutas, cereais... são totalmente reaproveitados, com segurança alimentar. Uma chícara dessa de alimento é suficiente para uma criança por um dia", afirmou à época. Após as críticas feitas ao produto, a Prefeitura voltou atrás e desistiu de incluí-lo na merenda escolar.

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